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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Os três problemas fundamentais que há 5 anos não têm melhoras em Lisboa no que diz respeito às árvores


1. PODAS
Continuam a ser agendadas pelas juntas de freguesia grandes empreitadas de poda em ruas inteiras como se a poda anual fosse uma operação de rotina; as diferentes empresas contratadas não actuam de forma concertada e o resultado para além de muitas vezes ser danoso para o arvoredo que fica mutilado, espelha a descoordenação entre as diferentes juntas. A floresta urbana devia ter uma gestão que garantisse a sua uniformidade.
Exemplos: 
a) Empreitada de podas nas avenidas novas (em curso). Somos diariamente contactados por cidadãos preocupados com a descaracterização das árvores. Muitas foram podadas há menos de dois anos (por exemplo, as tílias da Sampaio e Pina). 
b) O caso do choupo centenário que pertencia à quinta dos Lagares d’El Rei, uma árvore que devia ser alvo de atenção e protecção especiais, eventualmente classificada de interesse público e/ou municipal, mas nas mãos de uma junta de freguesia vai ser podada por uma empresa que não nos suscita a menor confiança - a Recolte. O absurdo que é incumbir uma empresa de recolha de resíduos de uma intervenção de poda a uma árvore notável. A poda do choupo deve ser feita por arborista especializado em árvores antigas.
Comentário de um arborista sobre o relatório: “Se o relatório apenas refere "redução de copa" sem mais descritivo técnico, é uma carta aberta à mutilação.”
c) Podas dos jacarandás nas Avenidas Novas em plena floração (Maio de 2019 e Abril de 2017) 
d) Podas desastrosas nas Francesinhas (Junta de Freguesia da Estrela) em Outubro, fora da época de poda, segundo o Regulamento Municipal do Arvoredo (foi feito um pedido de ajuda à Plataforma por uma moradora).

2. ABATES
Muitas vezes sem cumprimento das normas expressas no despacho 60/P/2012. Os moradores não são notificados e chega a não existir autorização da câmara. 
Olivais, Parque das nações, Universidade de Lisboa (recorrentemente), Liceu Camões, Fórum Picoas.

3. PLANTAÇÕES
Notamos que muitas vezes são eliminadas  caldeiras depois de um abate ou simplesmente não é feita nova plantação. Estamos disponíveis para compilar uma lista de casos, mas a câmara teria de avançar com solução imediata para estes casos. 
Preocupa-nos também a morte das árvores recém-plantadas por falta de cuidados. 
Por fim, algumas considerações sobre a jardinagem subtractiva ou manutenção de espaços verdes versus jardinagem:
Há muito que em Portugal, pelo menos nas maiores cidades, deixou de haver jardinagem em espaços públicos. Os recintos universitários não são alheios a esse mal: os (impropriamente denominados) jardins que rodeiam os edifícios são na verdade extensos relvados, com meia dúzia de árvores proibidas de crescer plantadas aqui e ali com manifesta relutância. Em vez de jardineiros, há empresas de manutenção de espaços verdes que vêm aparar a relva duas vezes por mês e, uma vez por ano, podar as árvores para as fazer regressar às dimensões que tinham um ano atrás. É uma "jardinagem" toda subtractiva: poda, arranca, limpa, apara; nunca acrescenta uma flor, um arbusto, um canteiro. Para quê pagar um serviço tão triste, tão destrutivo e tão desqualificado? Se não há jardins nem gosto em mantê-los, então o orçamento em jardinagem deveria ser próximo de zero. Para evitar que o relvado se transformasse num mato eriçado, bastaria cortá-lo quatro ou cinco vezes por ano. Além da poupança orçamental, ganhar-se-ia um jardim com flores silvestres; e as árvores, livres do ritual da poda, poderiam finalmente fazer-se adultas.” - Paulo Araújo, in Dias com Árvores

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Abate de árvores adultas e saudáveis na Universidade de Lisboa

Recebido por mail:

"Isto foi o que aconteceu na faculdade de letras de Lisboa durante as férias de verão.
Os alunos estão indignados com a forma como a faculdade iniciou as obras no edifício , cortando todas as árvores de grande porte"







O pedido de esclarecimento enviado:

Exmo. Senhor Reitor da UL Prof. Doutor António Manuel da Cruz Serra
Exmo. Senhor Director da FLUL Professor Doutor Miguel Tamen

Fomos contactados por inúmeros alunos e professores, bem como ex-alunos, da Universidade de Lisboa relativamente ao abate em curso de árvores de grande porte, nomeadamente uma Ficus monumental, muito provavelmente com cerca de 60 anos, nos jardins da Faculdade de Letras, junto à estátua de D. Pedro V, patrono da instituição e homem de letras e ciência, que certamente desaprovaria tal acto.

Para nós, Plataforma em Defesa das Árvores - que agrega associações de defesa das árvores e cidadãos a título individual, incluindo ex-alunos da FLUL -, afigura-se-nos incompreensível que uma instituição dedicada ao ensino superior, nomeadamente na área das humanidades, que ensina, justamente, a conhecer e a ver de modo crítico, mas também sensível, o que nos rodeia, cometa tais atentados ambientais, numa altura em que a manutenção de árvores adultas nas cidades nunca foi tão importante e defendida pela ciência e quando Lisboa se prepara para, em 2020, ser a "capital verde europeia" e como tal um exemplo de boas práticas. 

Na verdade, este espaço e estas árvores, que muito provavelmente remontam a 1958, juntamente com a placa central da Cidade Universitária e o Estádio Universitário são espaços, segundo a Câmara Municipal de Lisboa, "extremamente importantes no contínuo ecológico da cidade", estando incluídos na sua Estrutura Verde.

Este não é um caso isolado em espaços sobre a alçada da Universidade e das instituições que a compõem.  Vimos por isso pedir esclarecimento sobre a intervenção neste caso em particular, nomeadamente os relatórios técnicos, obrigatórios por lei, que determinaram o abate destas árvores.

aguardamos resposta...





quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Porque as árvores são de todos, exigimos respeito!



Exmo. Sr. Coronel Silva Salgueiro
Director do Colégio Militar

Vimos por este meio apresentar o nosso mais  veemente protesto pelas podas em curso às magníficas tílias do prestigiado Colégio Militar.

Confessamos o nosso espanto por esta manifesta má prática de manutenção do arvoredo, mais a mais na espécie em presença, e porque há muito que esta temática vem sendo objecto das mais variadas acções de sensibilização do público e das entidades públicas e privadas, de modo a que a cidade e o país possam deter mais conhecimento de causa e com isso ombrear com as sociedades mais avançadas no que a isto diz respeito.

Maior espanto o nosso quando sabemos das tradicionais preocupações patrimoniais desse Colégio ao longo de várias décadas.

Solicitamos a V. Exa. e à Direcção do Colégio Militar que acolham como boas as recomendações do Regulamento Municipal do Arvoredo em vigor, a fim de que todos nos orgulhemos da boa saúde das árvores sob vossa jurisdição, e que são património arbóreo valioso para Carnide e para todos nós, lisboetas.

Solicitamos ainda que nos esclareçam sobre as razões que levaram a estas podas, designadamente quais os relatórios técnicos e fitossanitários que os tenham justificado, uma vez que nos parece estarmos na presença de árvores perfeitamente saudáveis e sem representarem perigo algum para os transeuntes.

Certos da vossa melhor compreensão, apresentamos os nossos melhores cumprimentos e votos de Feliz Ano Novo!


Rosa Casimiro, Paulo Ferrero, Inês Beleza Barreiros, Miguel Sepúlveda Velloso, João Pinto Soares, Jorge Pinto, Susana Neves, Maria Magalhães Ramalho, Florbela Veiga Frade, Raquel Lopes,  Teresa Kaufmann Sampaio, Fátima Castanheira, Manuela Correia, Maria Filomena Caetano, Pedro Lérias, Duarte d'Araújo Mata, Marcolino Vilaça, Aurora Carapinha,Teresa Belmonte Travassos, Manuel Sousa, Ana Patriarca, Gui Abreu de Lima, Pedro Teixeira da Mota, Luiza Bragança, Pedro Jordão, Olimpio Fernandes, Marta Macedo, João Diniz, João Silva Jesus, Fernando Wintermantel, Luís Martins Pereira, Margarida Carmo Paz, Carlos Neves, Nuno Franco Caiado, Alexandre Guerra, Serafim Riem, Jorge Oliveira, Margarida Teixeira de Sousa, Tiago Cartageno, Khushi Parisara, Miguel Jorge, Denise Pinto, Clara Vilhena, Manecas Cris, Alexandra Berinde, Teófilo Braga, João Luis Antunes, Ana Ventura, João Almeida,  Rui Vieira, Ermete Pires, Ana Mafalda Bourbon, Isabel David Martins, João Firmino, João Coutinho, Catarina Marto, Claudia Camacho, Patrícia Caeiro, Maria Cristo Neve, Sofia Salgueiro, Catherine Savage, Paula Serrano, Nuno Oliveira, Rute Guimarães, Américo Ferreira, Pedro Mauricio, Paulo Baptista da Silva, Andreia Galvão Mota, Anita Ferreira, Clementina Rodrigues Mota, Ramiro Rio, Cristina Martinelli, Cristina Lobo Antunes, João Rebôlo, Cátia Mendes,  Jorge Valente, Teresa Araújo Costa, Augusta Isabel Mendes Cadilha, Maria Maiato, Ana Marques, Aurora Silva, Patrícia Alexandra Miranda, Luís Neves, Viriato Oliveira, Virgínia Bernardo, Cátia Guerreiro, José de Azevedo Coutinho, Rita Fão, Isabel Mata Torres, João Gonçalo, Jozelita Vilão, Joana Soares, Pedro Mónica Ribeiro, Nicol Martinho, Isabel Cardoso, Ana Nunes, Eduardo Burnay, Vitor Joaquim, Eduardo Guerra Domingos, Elsa Borges da Silva, João Miguel Vaz Ribeiro, Teresa Farias, Vera Spiguel, Jean Loup, Simo Antti Salin, Álvaro Seabra de Albuquerque, João Almeida, Luis Henrique Pissarra, Jorge Castanho, Miguel Dias, Carlos Fulgêncio, Rita Camões Guerra, David da Silva e Sousa, Ana Gomes, Constantino Correia, Teresinha Barros, Flor Zack, Damiana Sousa, Maria do Céu Estanqueiro, Cristina Cooker, Constantino Correia,  Nuno Aparício, Pedro Alves Sousa, Nuno Berberan Ramalho, São Lopes, ...









terça-feira, 28 de agosto de 2018

Mutilação de árvore classificada de Interesse Público



 Fotografias de Monica de Almeida Casqueira

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina
Exma. Sra. Presidente da Junta de Freguesia de Arroios
Dra. Margarida Martins
Conforme poderão V. Exas. constatar pela foto que segue junto (da autoria de Mónica Almeida), e ao que nos acabam de informar moradores no local, foi recentemente podada de forma verdadeiramente escandalosa a bela-sombra junto à Igreja dos Anjos, árvore que está classificada de Interesse Público (http://www2.icnf.pt/portal/florestas/ArvoresFicha?Processo=AIP11065605I&Concelho=&Freguesia=&Distrito=)!
Julgávamos que, após os sucessivos alertas e denúncias sobre más práticas do passado, feitos não só desde que esta Plataforma foi criada, como durante algumas décadas até então, alertas e denúncias que terão contribuído para, finalmente, existir um Regulamento Municipal do Arvoredo de Lisboa; assistir-se a uma barbárie como a presente seria impossível de acontecer em Lisboa, contudo aconteceu.
Serve o presente para apresentarmos o nosso protesto veemente, e para solicitar a V. Exas. que punam exemplarmente os responsáveis por este acto a todos os títulos deplorável, ilegal (se se confirmar a não autorização do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) e indigno do Pelouro dos Espaços Verdes da CML e/ou dessa Junta de Freguesia, no caso de ter havido autorização da vossa parte.
Iremos solicitar esclarecimentos ao ICNF e apresentar queixa ao Ministério Público.


...

Esclarecimento da JF Arroios - Quebra de pernada na madrugada de 12 para 13:

Exmos. Srs.

No seguimento da exposição abaixo, e por incumbência da Sra. Presidente Margarida Martins, cumpre apresentar o esclarecimento que se segue.
Na madrugada de dia 12 para dia 13 de agosto, um exemplar de Phytolacca, com um grande porte e classificada, que se encontra junto à Igreja dos Anjos, quebrou uma pernada como demonstrado no registo fotográfico que se junta.
A queda dessa pernada provocou bastantes estragos, em cerca de 40% da copa desta árvore, ficando a mesma bastante danificada.
Assim, contactada a nossa empresa de manutenção de Espaços Verdes, procederam-se às intervenções que natureza mais urgente, sendo que durante o dia 13 e 14 realizou-se limpeza dos ramos partidos e esgalhados, que se encontravam no chão e pendurados, pelo que a intervenção realizada se limitou estritamente à zona que tinha danos resultantes da já referida quebra de pernada, tratando-se pois de um exemplar com um grande valor patrimonial.
A operação de reequilíbrio de copa será realizada em articulação e com a presença de técnicos do ICNF.

Gratos pela atenção e ao dispor.
Cumprimentos,
Junta de Freguesia de Arroios
Cláudia Santos
Divisão de Ambiente Urbano e Desenvolvimento Local

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Destruição de património arbóreo por incompatibilidade com proposta de arquitectura


Estamos cansados de dizer que os projectos de arquitectura e paisagismo que, como este que se pretende fazer no Palacete Leitão em Lisboa, nos prometem "requalificação", "respeito pela identidade do jardim original", "promover a utilização de materiais de carácter naturalizado/antigo"; não podem, de forma totalmente incoerente, desrespeitar o património natural existente. 

Estas são apenas algumas das árvores notáveis que se pretendem abater no local.

E mais abaixo o protesto enviado aos responsáveis pela aprovação do projecto.

Exmo. Senhor Presidente Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Vereador Manuel Salgado
Exmo. Senhor Vereador José Sá Fernandes


Apresentamos a V. Exas. o nosso repúdio por aquilo que consideramos ser mais um atentado ao património arbóreo da cidade em nome de um projecto de arquitectura e de “paisagismo” que, incoerentemente, pretende qualificar e respeitar um local de valor e beleza assinaláveis.

Referirmo-nos ao Palacete Leitão, sito na Rua Marquês de Fronteira, nº 14-16, e ao pedido de informação prévia nº 1422/EDI/”2018, cuja concretização implicará o abate dos mais antigos e importantes exemplares arbóreos existentes no local, a saber um dragoeiro monumental, um freixo e um cipreste notáveis, e alguns jacarandás e castanheiros da Índia de porte considerável. É de lamentar, aliás, a argumentação utilizada pelo autor do projecto, que ao referir-se bastas vezes ao facto de as árvores a abater o terem de ser por força de não se enquadrarem no projecto de arquitectura, como ao “acenar” com a manutenção de várias espécies, a maior parte delas sem a importância ou porte das que se pretende abater.

Mais uma vez os serviços da CML parecem dispostos a aprovar projectos de arquitectura e de paisagismo em que o património arbóreo é totalmente ignorado e delapidado, voltando a forçar que as pré-existências se adaptem aos projectos e não que estes se adaptem, respeitem e integrem aquelas; uma prática já por nós criticada por várias vezes (ex. a intervenção no vizinho Palacete Mendonça, Avenida Fontes Pereira de Melo, Torre de Picoas, várias obras no âmbito do programa "Uma Praça em cada Bairro", etc...  ).

Não podemos deixar de lamentar essa prática continuada, e de aqui fazermos o nosso apelo para que seja reavaliado o projecto em apreço, no sentido de preservar os exemplares arbóreos acima apontados e cujo pedido para abate se anexa a este mail, e que assim se inverta a má-prática já referida.

Com os melhores cumprimentos
A Plataforma em Defesa das Árvores


segunda-feira, 30 de abril de 2018

Em defesa do Jardim das Amoreiras

Exmo Sr. Vereador José Sá Fernandes

É com uma enorme perplexidade e indignação que assistimos, de dia para dia, ao desleixo e degradação daquele que consideramos ser um dos mais bonitos e emblemáticos jardins de Lisboa, o Jardim das Amoreiras, parte integrante de monumento nacional - o aqueduto -, e representado mais do que uma vez na obra de uma das mais internacionais pintoras portuguesas, Maria Helena Vieira da Silva, local da sua fundação e casa-atelier.

Parece-nos evidente que a Junta de Freguesia ( Santo António) não consegue reunir as condições necessárias à manutenção de um espaço desta importância para a cidade, por isso entendemos ser urgente que a CML, à semelhança do que foi feito na Av. da Liberdade, resgate a manutenção e monitorização diária do jardim antes que os danos se tornem irrecuperáveis. Lembramos que existe neste jardim uma notável e única coleção botânica, nomeadamente de árvores de grande porte( tílias, tipuanas, um conjunto importante de ginkgo biloba, Firmiana simplex, teixo, paineira, entre outras) cuja perda por desleixo e desconhecimento A CML, como entidade responsável e informada, não pode permitir.

Na expectativa de que os serviços da Câmara , pelos quais é responsável, possam encontrar uma solução rápida para esta situação totalmente inaceitável, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.





(Fotografias de M.Ruivo)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Pedido de audição, em defesa das árvores na Serra de Sintra

(fotografia daqui)

Exmos. Senhores Deputados Membros da 11ª Comissão Permanente,

O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) pretende retomar o projecto de abate de milhares de árvores na Serra de Sintra (EN 9-1 entre a Lagoa Azul e Malveira da Serra e estrada florestal entre a Malveira e o cruzamento da Portela).

Em 2017, o ICNF justificava o abate de 1350 árvores, essencialmente pinheiros e ciprestes, por razões de ordem "fitossanitária". Tal projecto viria a ser forte e justificadamente contestado pela população e por especialistas, levando a que as autarquias de Sintra e Cascais se lhe opusessem publicamente, o que levou à sua suspensão.

É, pois, com enorme surpresa e consternação que o Q Sintra (movimento de cidadania de Sintra) e a Plataforma em Defesa das Árvores (plataforma cívica de que fazem parte várias ONG ambientalistas) tomam conhecimento da vontade do ICNF em retomar o projecto, que agora justifica com a necessidade de criar uma faixa de segurança contra incêndios.

Até agora, o ICNF não explicou quais os critérios com que selecciona as árvores que quer abater, nem qual a sua estratégia para a defesa da serra de Sintra e não se conhece qualquer estudo sobre o impacto deste corte no valor da paisagem.

Para prevenir incêndios, o que é urgente fazer na serra de Sintra é gerir e ordenar a floresta de uma forma sistemática, com a visão adequada à preservação de uma paisagem classificada, e eliminar com urgência os verdadeiros factores de risco que a ameaçam: árvores caídas, descontrolo de espécies invasoras, acumulação de lixo ou entulho, muros derrubados, intervenções privadas sem fiscalização e controlo.

Nesse sentido, e porque continuamos a considerar que tal abate continua a ser injustificado, por ser o Parque Natural Sintra-Cascais de um valor incalculável do ponto de vista cultural, ambiental e afectivo, que não necessita de abates mas de vigilância atenta e permanente (assunto que ambas as autarquias continuam a ignorar, década após década), solicitamos uma audição a Vossas Excelências, com carácter de urgência, a fim de expormos os nossos argumentos e de sensibilizarmos essa Comissão a travar definitivamente este processo.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Pedido de esclarecimento enviado a 19/02





Exmo. Senhor Vereador José Sá Fernandes

Perfazendo exactamente um ano sobre a entrega, em reunião pública de câmara, da nossa "Petição pela reintegração da Avenida da Liberdade no Corredor Verde de Monsanto”, altura em que nos informou pessoalmente do resgate pela CML de espaço público da Av. da Liberdade, mais concretamente sobre a manutenção dos seus espaços verdes (canteiros, árvores, lagos),constatamos que a situação se encontra como as imagens em anexo demonstram: uma vergonha. Serve o presente, portanto, para solicitarmos a V.Exa. esclarecimentos quanto à efectiva, ou não, transferência temporária de tutela e qual o seu efeito prático até agora. Preocupa-nos particularmente a manutenção do coberto arbóreo desta Avenida, que conforme nos confirmou, é  parte integrante do corredor verde de Monsanto.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Recordando um jardim que está em perigo (II)






Um texto sentido de Ana Alves de Sousa, escrito para para o projecto “Memórias das Avenidas” antes da tragédia se ter abatido sobre o jardim do Palacete Mendonça, que é também um justo agradecimento ao Eng. Rui Romão uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins* e que nos últimos 25 anos se dedicou de alma e coração a este jardim maravilhoso.
* O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.
Rubem Alves, 2002

O jardim do Palacete Mendonça
Avós e Netos de Mãos Dadas

Agradecimento

Ao Eng.º Rui Romão por tudo o que nos ensinou, pelo extraordinário exemplo de perseverança, amor e respeito pela natureza, por todo o trabalho que realizou neste jardim centenário durante mais de 25 anos.


Quando eu era pequena a minha Mãe falava-me das visitas que em tempos fizera com o seu Avô paterno a um palacete rodeado por um grande parque que ficava relativamente perto da casa onde ambos viviam, na Avenida António Augusto de Aguiar. Recordava sobretudo o jardim e a quinta, o moinho de vento, a água que escorria de cascatas forradas de fetos e de avencas, os túneis de buxo e, a meio da tarde, os chás e as bolachinhas servidos ao ar livre na sombra cheirosa de um caramanchão coberto de rosas de Santa Teresinha.

O palacete pertencia a Carolina e a Henrique de Mendonça, proprietários de roças em São Tomé. Sem ter certezas, penso que essas visitas dever-se-iam ao facto de Henrique de Mendonça ter sido, entre 1913 e 1925, Vice-Governador do Banco Nacional Ultramarino e de o meu Bisavô ter inaugurado a agência de Quelimane desse mesmo banco em 1902 e, anos mais tarde, ter sido responsável pela agência de Lourenço Marques. Assim sendo, existiria uma relação profissional que justificava esses encontros, bem como uma eventual amizade resultante do facto de terem ambos uma paixão imensa por África e de aí terem trabalhado e passado largos anos das suas vidas. Fosse por que razão fosse, o meu Bisavó era visita da casa. A minha Mãe acompanhava-o sempre que possível e essas tardes de passeio de mão dada com o seu Avô ficaram gravadas na sua memória.

Quando, em meados dos anos 60, viemos morar para o Bairro Azul, eu costumava passar rente ao muro do Palacete Mendonça, a caminho do Liceu Maria Amália. Espreitava através do gradeamento de ferro forjado e imaginava como teriam sido os tempos em que a minha Mãe brincava naquele enorme parque murado que parecia agora meio abandonado e selvagem, quase como se de uma floresta tropical se tratasse.

Durante muitos anos o jardim permaneceu inacessível até que finalmente, nos anos 90, a Universidade Nova, então proprietária do palacete, celebrou um acordo com a Câmara Municipal de Lisboa: os serviços camarários responsabilizar-se-iam pelo arranjo e limpeza do parque e, como contrapartida, este passava a ser público mediante a apresentação de uma identificação. Anos mais tarde, a Fundação Calouste Gulbenkian emprestou à Universidade 13 esculturas que foram estrategicamente colocadas em diferentes pontos do parque, convidando à sua descoberta.

Pouco a pouco, o parque recuperou a sua beleza e dignidade e a minha Mãe voltou a passear pelo jardim da sua infância, agora de mão dada com os seus Netos.

O parque do Palacete Mendonça é pois, para a minha família - tal como, certamente, para muitas outras pessoas - um espaço mágico e foi com enorme alegria que soubemos da sua venda à Fundação Aga Khan na convicção de que esta irá proceder não só ao restauro do edifício mas também do parque e mantê-lo aberto à população, tal como esperado e noticiado. Deste modo, permitirá que aqui se renove essa maravilhosa cadeia de mãos dadas de tantas gerações e o Parque do Palacete Mendonça continuará a fazer parte da memória passada e futura de todos nós.

Ana Maria de Mendonça T.S. Alves de Sousa

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Carta Aberta a Sua Alteza o Príncipe Aga Khan



Perante a constatação de um brutal abate de árvores de grande porte no jardim ( classificado ) do Palacete Mendonça e o consequente silêncio das entidades públicas responsáveis, fazemos um apelo ao novo proprietário.




Your Highness Prince Aga Khan,

We are writing you with an urgent plea, taking into consideration the Foundation's legacy in regards to the rehabilitation of gardens and parks as well as the restoration of historic buildings all over the world.



We ask you to, please, stop the knocking down of hundreds of centenary trees, namely Celtis australis, in the gardens of the Foundation's future headquarters, in Lisbon. Along with the construction of a garage and a lake, these acts will certainly compromise the future of other trees in the park, such as the ensemble of dragon trees (Dracaena draco). This park is classified as of "Public Interest", according to Portuguese law, which gives the dimension of the important patrimony the Foundation has in hands.

We also call your attention to the reformation works inside the Palace Mendonça itself. This palace was conceived by one of the most important Portuguese architects of the beginning of the 20th century, Ventura Terra, and it stands for the most accomplished Art Nouveau buildings in Portugal. Any changes to its structure will compromise the coherence of the whole and examples of this architectural style do not abound in our country.

What is happening both in the park and the building does not live up to the standards the Foundation has put in other projects elsewhere and this is the more intriguing when what is at stake are its headquarters that should stand as a showcase of the Foundation's standards.

We kindly ask Your Highness for your intervention in stoping the destruction of Portuguese patrimony.
Thank you for your time and consideration.

Yours sincerely,
Plataforma em Defesa das Árvores
Fórum Cidadania Lx
Comissão de Moradores do Bairro Azul
Vizinhos das Avenidas Novas
Rui Romão (former Gardner of Palace Mendonça)
Associação de Moradores das Avenidas Novas de Lisboa


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Arboricídio (de interesse público)



Jardins do Palacete Mendonça em  Abril de 2017



Jardins do Palacete Mendonça, Hoje

Estamos baralhados! Este palacete e o respectivo Jardim não são património de interesse público? 
(fomos impedidos de fotografar no local)