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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Crime ambiental em Viseu




Exmo. Sr. Presidente da Câmara de Viseu
Recebemos nesta plataforma inúmeras denúncias sobre o que nos parece ser um abate massivo de árvores adultas e saudáveis na cidade de Viseu, nomeadamente na Av. António Lopes Pereira. 

Parece-nos inconcebível que em tempos de declarada urgência climática, em que mais do que nunca o papel das árvores urbanas é  fundamental para garantir qualidade de vida, os cidadãos sejam confrontados com decisões não sujeitas a escrutínio ou discussão pública que os privem das árvores das suas ruas, bairros e cidade.

As árvores, como ser vivos que são, não podem ser geridas como se fossem mobiliário urbano que se remove quando deixa  de agradar. Neste caso, perante as imagens que nos chegaram do abate injustificado de Inúmeras árvores ainda jovens e aparentemente bastante saudáveis, não podemos deixar de apresentar o nosso mais veemente protesto e apelar à imediata cessação da operação de abate e à procura de soluções alternativas para resolver eventuais conflitos que as árvores possam estar a causar. 

Porque defender as árvores é também defender as pessoas.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Podar porquê?


Os Jacarandás na Calçada da Ajuda , em 2015,  pouco tempo depois da plantação 



Maio de 2020 

Pedido de esclarecimento enviado à junta de freguesia da Ajuda 


terça-feira, 21 de abril de 2020

Lamentamos a perversidade que é abater árvores para fazer espaços verdes


Fotografias de R. Gama de algumas das árvores recentemente marcadas para abate na Praça de Espanha

Perante informação de que se prepara uma nova (1) e injustificada vaga de abate de árvores no âmbito das obras que decorrem na Praça de Espanha da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, esta Plataforma enviou o seguinte apelo ao presidente da CML:

Exmo. Senhor Presidente da CML 
Dr. Fernando Medina, 

Mais uma vez tomamos a liberdade de escrever a V. Exa. sobre as árvores da nossa cidade, desta feita sobre os abates na Praça de Espanha no âmbito das obras que ali decorrem. Lamentamos a perversidade que é abater árvores para fazer espaços verdes. O imprudente que é -  na crise climática que vivemos e quando se sabe que uma árvore jovem não proporciona os mesmos efeitos de árvores adultas - não adaptar os projectos, sobretudo projectos "verdes", às pré-existências. 

Isto é tanto mais importante quando sabemos já que muitas árvores jovens que têm sido plantadas pela CML no âmbito de projectos de requalificação não sobrevivem por falta de cuidados (basta consultar os abates previstos pela CML no mês de abril: árvores jovens que secaram) ou que os, menos frequentes, casos de transplantes, como neste caso da Pç. de Espanha, não vingam. 

A 3 de Março alertávamos V. Exa. por email dos abates de 40 árvores adultas e saudáveis (entre elas choupos, freixos, plátanos e rubíneas) e de 2 árvores de grande importância ecológica e patrimonial (um sobreiro e um ulmeiro com mais de 50 anos).

Ontem a  Plataforma foi avisada por uma munícipe de que se prepara nova empreitada de abate de 20 exemplares adultos (ver fotografias em anexo), ainda mais em plena época de nidificação. Embora sinalizadas para abate, o seu pré-aviso não se encontra no website da CML. 

O que vimos pedir a V. Exa. é que considere impedir este processo de abate e que envide diligências junto dos autores do projecto para uma solução que inclua estes exemplares no traçado. Torna-se cada vez mais desmotivador, preocupante e perigoso, verificarmos não só a crónica e completa discrepância entre o que é projectado e anunciado a 3-D com a realidade do pós-obra, como o facto de o cidadão comum se acabar por perder no "verde" de imagens virtuais, nunca sabendo quais as árvores que são na realidade para abater e quais as que são para preservar urgente que a CML tome a dianteira na necessidade que existe em corrigir e combater esta sistemática manipulação da opinião pública).

O que aqui pedimos, senhor Presidente, a ser aceite pela CML, não será novidade, uma vez que a CML já corrigiu projectos de paisagismo a pedido de munícipes, como foi o caso, muito recentemente, do não abate de choupos de grande porte junto ao cruzamento de Alcântara ou no Calvário com a preservação de uma antiga nespereira.

Em plena crise de saúde pública - e quando estudos científicos referem já a provável correlação entre a difusão do COVID-19 e a poluição do ar que favorece sua disseminação e aumenta a virulência da infecção, bem como o índice de mortalidade ser mais elevado em zonas poluídas - a preservação de árvores adultas é essencial, quando sabemos que são elas as principais responsáveis por filtrar a poluição e o CO2 (árvores jovens levarão sensivelmente duas décadas a fazê-lo na sua plenitude).

Assim, apelamos a V. Exa, senhor Presidente, para que impeça este abate de 20 árvores adultas e saudáveis, envidando esforços para a sua inclusão no projecto e nos informe sobre o número total de abates, transplantes e plantações desta empreitada.

(1)
Embora sem acesso a informação oficial, registamos que desde a sua aprovação este projecto que prevê a construção de um novo espaço verde na cidade de Lisboa já justificou o abate ou transplante de perto de uma centena de árvores adultas e saudáveis situação  que lamentamos profundamente.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Gestão danosa do património arbóreo na cidade da Horta

Há quase um ano uma surpreendente intervenção de amputação do arvoredo do Parque da Alagoa na cidade da Horta, gerou um forte movimento popular de contestação perante a câmara municipal.


Aos muitos pedidos de esclarecimento respondeu a câmara, alguns meses depois, de forma lacónica  evocando questões de segurança e confirmando o que já se desconfiava, não terá existido nenhum especialista em fitossanidade a acompanhar ou prescrever  tão radical e lesiva operação.

É sabido, qualquer técnico confirmaria,  que perante tal violência as árvores não iriam regenerar com facilidade e em caso algum ficariam mais saudáveis, passado quase um ano este é o lamentável estado dos Metrosideros podados em Maio de 2019.

Mas nem perante esta imagem de desolação a câmara municipal da Horta questionou as suas certezas e eis que há poucos dias decide aplicar a mesma receita desastrosa às restantes árvores do Parque. O resultado é, mais uma vez, chocante. E a impunidade e irresponsabilidade perante este tipo de crimes contra o ambiente e o património vivo, são cada vez menos toleráveis.


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Queixa enviada ao Ministério Público


Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Dra. Lucília Gago

Vimos apresentar ao ministério público queixa perante o que pensamos ser um procedimento ilegal pela parte da junta de freguesia dos Olivais.

O caso: O abate de 27 árvores adultas de grande porte, iniciado em 22/01/2020 e ainda a decorrer, no jardim Maria de Lurdes Sá Teixeira na freguesia dos Olivais.

Constatamos não ter sido cumprido de nenhuma forma o estabelecido no ponto 5° do despacho 60/P/2012 que determina os procedimentos  para remoção de árvores, nomeadamente  no que diz respeito aos meios e prazos para informar os moradores.

Mesmo depois de ser  alertada de que não estava a cumprir a norma legal em vigor por despacho camarário, e após a chamada ao local da polícia de segurança pública, a junta de freguesia persiste no incumprimento e muitas árvores foram já abatidas apesar das constantes solicitações  e apelos dos moradores para consultar os relatórios fitossanitários que terão determinado a necessidade de abate das árvores, e o eventual plano para novas plantações de substituição.

Perante a escassa legislação  de defesa das árvores existente em Portugal, e face à urgência ambiental que marca de forma incontornável o nosso tempo, consideramos da maior importância que as leis existentes neste âmbito sejam escrupulosamente cumpridas, nesse sentido contamos com a atenção e intervenção do Ministério Público.

Melhores cumprimentos 


Plataforma em Defesa das Árvores  
 Defender árvores é também defender pessoas

Jardim Maria de Lurdes Sá Teixeira, hoje
Fotografias de Maria Viana

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Os três problemas fundamentais que há 5 anos não têm melhoras em Lisboa no que diz respeito às árvores


1. PODAS
Continuam a ser agendadas pelas juntas de freguesia grandes empreitadas de poda em ruas inteiras como se a poda anual fosse uma operação de rotina; as diferentes empresas contratadas não actuam de forma concertada e o resultado para além de muitas vezes ser danoso para o arvoredo que fica mutilado, espelha a descoordenação entre as diferentes juntas. A floresta urbana devia ter uma gestão que garantisse a sua uniformidade.
Exemplos: 
a) Empreitada de podas nas avenidas novas (em curso). Somos diariamente contactados por cidadãos preocupados com a descaracterização das árvores. Muitas foram podadas há menos de dois anos (por exemplo, as tílias da Sampaio e Pina). 
b) O caso do choupo centenário que pertencia à quinta dos Lagares d’El Rei, uma árvore que devia ser alvo de atenção e protecção especiais, eventualmente classificada de interesse público e/ou municipal, mas nas mãos de uma junta de freguesia vai ser podada por uma empresa que não nos suscita a menor confiança - a Recolte. O absurdo que é incumbir uma empresa de recolha de resíduos de uma intervenção de poda a uma árvore notável. A poda do choupo deve ser feita por arborista especializado em árvores antigas.
Comentário de um arborista sobre o relatório: “Se o relatório apenas refere "redução de copa" sem mais descritivo técnico, é uma carta aberta à mutilação.”
c) Podas dos jacarandás nas Avenidas Novas em plena floração (Maio de 2019 e Abril de 2017) 
d) Podas desastrosas nas Francesinhas (Junta de Freguesia da Estrela) em Outubro, fora da época de poda, segundo o Regulamento Municipal do Arvoredo (foi feito um pedido de ajuda à Plataforma por uma moradora).

2. ABATES
Muitas vezes sem cumprimento das normas expressas no despacho 60/P/2012. Os moradores não são notificados e chega a não existir autorização da câmara. 
Olivais, Parque das nações, Universidade de Lisboa (recorrentemente), Liceu Camões, Fórum Picoas.

3. PLANTAÇÕES
Notamos que muitas vezes são eliminadas  caldeiras depois de um abate ou simplesmente não é feita nova plantação. Estamos disponíveis para compilar uma lista de casos, mas a câmara teria de avançar com solução imediata para estes casos. 
Preocupa-nos também a morte das árvores recém-plantadas por falta de cuidados. 
Por fim, algumas considerações sobre a jardinagem subtractiva ou manutenção de espaços verdes versus jardinagem:
Há muito que em Portugal, pelo menos nas maiores cidades, deixou de haver jardinagem em espaços públicos. Os recintos universitários não são alheios a esse mal: os (impropriamente denominados) jardins que rodeiam os edifícios são na verdade extensos relvados, com meia dúzia de árvores proibidas de crescer plantadas aqui e ali com manifesta relutância. Em vez de jardineiros, há empresas de manutenção de espaços verdes que vêm aparar a relva duas vezes por mês e, uma vez por ano, podar as árvores para as fazer regressar às dimensões que tinham um ano atrás. É uma "jardinagem" toda subtractiva: poda, arranca, limpa, apara; nunca acrescenta uma flor, um arbusto, um canteiro. Para quê pagar um serviço tão triste, tão destrutivo e tão desqualificado? Se não há jardins nem gosto em mantê-los, então o orçamento em jardinagem deveria ser próximo de zero. Para evitar que o relvado se transformasse num mato eriçado, bastaria cortá-lo quatro ou cinco vezes por ano. Além da poupança orçamental, ganhar-se-ia um jardim com flores silvestres; e as árvores, livres do ritual da poda, poderiam finalmente fazer-se adultas.” - Paulo Araújo, in Dias com Árvores