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terça-feira, 8 de abril de 2025

Hoje na 5 de Outubro



Sr. Presidente Carlos Moedas

Sra. Vereadora do Urbanismo Joana Almeida

 Sr. Vereador da Estrutura Verde Rui Cordeiro


Relativamente ao caso “abate/transplante de 47 jacarandás na Av. 5 de Outubro” vem a Plataforma em Defesa das Árvores reiterar  que nunca vai aceitar a prática de abate de árvores para que determinado local se “encaixe” melhor na geometria gizada em computador pelos autores dos projectos, e apelar para que a CML tenha sempre em conta que as árvores que acompanham gerações, as árvores de médio e grande porte são uma mais-valia para todo e qualquer paisagismo, seja qual for a espécie e sejam elas consideradas bonitas ou feias, bem como atente no facto de que importa não ferir a relação de afectos que existe entre as árvores e a população.


É pois com grande perplexidade  perante a forma vaga, imprecisa e cheia de contradições  como a CML tem abordado este assunto que vimos pedir esclarecimento claro e objectivo sobre os seguintes pontos.


No troço  da Av. 5 de Outubro em questão quantos jacarandás existem atualmente e quantos serão Abatidos/transplantados?

Uma vez que, de acordo com o despacho 60/P/2012, o abate de árvores na cidade de Lisboa só pode resultar de necessidade fitossanitária  ou excepcionalmente, mediante autorização do Presidente da Câmara, por necessidade imperiosa decorrente da realização de obra de interesse público, pedimos clarificação sobre o interesse público da obra a efectuar no subsolo da Av.5 de Outubro e as autorizações necessárias dadas pelo Presidente da Câmara para o abate de árvores saudáveis.


Vem ainda esta Plataforma sugerir que a CML, numa atitude de responsabilidade e compromisso, utilizando a lei de que dispõe (Lei n.º 53/2012 de 5 de setembro) ou de acordo com o Regulamento Municipal de Proteção de Espécimens Arbóreos e Arbustivos, aprovado através da Deliberação n.o 51/AML/2011, publicada no Boletim Municipal n.o 909, de 21 de julho de 2011, estude a possibilidade de solicitar ao ICNF ou aos seus serviços técnicos ( Artigo 14º do Regulamento Municipal do Arvoredo de Lisboa)  a classificação de todos os Jacarandás da Av. 5 de Outubro como Conjunto Arbóreo de Interesse Municipal.


domingo, 23 de março de 2025

Protesto perante a intenção de abate/transplante de 47 jacarandás adultos e saudáveis em Lisboa

Sr. Presidente Carlos Moedas

Sra. Vereadora do Urbanismo

Sr. Vereador do Ambiente 


Foi esta Plataforma alertada para o abate iminente de um conjunto significativo de jacarandás na Avenida Cinco de Outubro, junto aos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos.

É com manifesta surpresa que constatamos o aviso colocado no local (foto), dado que nas imagens virtuais do loteamento promovido pela CML no âmbito da Operação Integrada de Entrecampos se mantinham inatacáveis os jacarandás existentes no troço daquela avenida, entre as avenidas das Forças Armadas e Marconi.

Verificamos, contudo, foram alterados esses termos em 2024, invocando-se então a necessidade de abate dos jacarandás (árvores adultas, de porte médio-alto e em perfeitas condições fitossanitárias) em virtude de ser incompatível a sua manutenção “com a execução dos trabalhos necessários à construção do estacionamento subterrâneo”!!!

É a todos os títulos lamentável que se justifique o abate de árvores com argumentos como o citado, e deplorável que isso se verifique em pleno século XXI.

Perguntamos como é possível que a CML viole o Regulamento Municipal do Arvoredo que ela própria produziu? E que numa área com as dimensões deste loteamento não se encontre forma de garantir um estacionamento sem que para isso sejam abatidas árvores adultas, mais a mais jacarandás? E como é possível que num empreendimento que gerará milhões de euros e já motivou inúmeras compensações urbanísticas, não se encontre uma solução técnica para evitar o referido abate.

Condenamos tal prática e denunciamos a hipocrisia da CML em dizer-se defensora das boas-práticas ambientais e, ao mesmo tempo, promover semelhante arboricídio à primeira justificativa de ordem técnico-orçamental.








segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Desapareceu do lugar onde vivia

Esta que era uma das árvores notáveis de Lisboa desapareceu inesperadamente e sem aviso.  O pedido para autorização de abate foi feito e publicado pela CML vários dias depois do seu abate. Tudo faremos para perceber o que se passou e o primeiro passo foi este, um pedido de esclarecimento à Junta de freguesia de Campolide, a entidade gestora do património arbóreo que incluía a árvore desaparecida.


Exmo. Senhor Presidente da Junta de freguesia de Campolide

Perante o inesperado desaparecimento de uma das árvores notáveis a cargo da junta a que preside, a monumental Phytolacca dioica na Travessa da Rabicha (fotografia 1) e depois de uma resposta da CML dando conta de que existe documentação sobre o assunto a disponibilizar pela Junta de freguesia de Campolide, vimos solicitar as seguintes informações:

1) Data em que foi efectuado o abate da árvore e razões, devidamente fundamentadas, para não ter sido cumprido o Despacho 60/P/2012, nomeadamente nos seus pontos 4), 5) e 6). 

2) Uma vez que o pedido de autorização para abate de árvore, com data de 25/01/2023 e publicado a 30/01/2023, refere: “A árvore estava a ser monitorizada, tendo sido realizadas intervenções de poda nos últimos três meses devido a quebra de pernadas.”, solicitamos os relatórios fitossanitários feitos aquando das acções de monitorização e o nome dos técnicos qualificados que os assinam.

3) Sendo a espécie em questão uma árvore pouco comum em Portugal de características muito particulares, as Phytolacca dioica são herbáceas de porte arbóreo e como tal os ramos têm um aspecto fibroso e com um odor muito  específico, solicitamos o relatório fitossanitário em que se avalia o grau de perigosidade com base no “cheiro pútrido” e na “podridão que destruiu mais de 80% dos tecidos de ligação”, conforme referido no pedido de autorização para abate de árvore publicado no site da CML .

4) Porque é que a Junta de Freguesia, perante as informações disponibilizadas aquando das alegadas monitorizações, em nenhuma altura tomou medidas visando a protecção e tratamento da árvore.

5) Que medidas de compensação foram consideradas e de que forma serão implementadas, nomeadamente as que garantem o cumprimento do ponto 3- do Artigo 17º da Lei 5972021 de 18 de Agosto: “3 — Em caso de abate, é obrigatória a reposição de arvoredo que garanta a duplicação do nível de sequestro de CO2, preferencialmente recorrendo a árvores nativas do concelho, num raio não superior a 10 km.”

Aguardamos que a vossa resposta, que desde já agradecemos, nos consiga de alguma forma acalmar a tristeza que sentimos perante o desaparecimento de mais uma das árvores notáveis de Lisboa e nos permita agir em conformidade com a gravidade do sucedido.

Melhores cumprimentos


 



segunda-feira, 31 de outubro de 2022

As Árvores e o Plano de Drenagem





 Exmo. Senhor Presidente da CML Eng. Carlos Moedas,

Exmo. Senhor Vereador Dr. Ângelo Pereira,

 

Vimos por este meio junto de V. Exas. reclamar o abate de dezenas de árvores adultas por ocasião das obras do Plano de Drenagem, nomeadamente (e que tenhamos conhecimento por agora):

 

- Em Campolide: 42 abates;

- Na Avenida Infante D. Henrique: 6 abates;

- No Largo do Museu da Artilharia: 9 abates.

 

Neste último caso, é tanto mais grave quanto parece que os abates são executados para montar o estaleiro de obras. Até dois jacarandás, árvores ex-libris de Lisboa e que fazem parte da rota dos jacarandás da cidade, estão condenados deste forma infame. 

 

É inadmissível que se abatam árvores, não só pelo seu papel na mitigação dos efeitos da actual Crise Climática, mas neste caso em específico pelo seu importante papel de drenagem

 

Afigura-se-nos que a água da chuva devia ser aproveitada e não drenada através de túneis para o rio. Noutras cidades, como em Londres, a drenagem está a ser pensada e executada à superfície, recuperando as linhas de água. Capturar, armazenar e reusar água das chuvas é a palavra de ordem. 

 

As árvores são as grandes drenadoras, pelo que abatê-las em nome da drenagem, quando se as podia poupar, é no mínimo revoltante.

 

É inadmissível que as importantes obras que estão a ser executadas em Lisboa, e que são feitas em nome de preocupações ambientais (o Plano de Drenagem e o prolongamento da linha vermelha do Metro), impliquem o abate de árvores e/ou a sua condenação a médio e longo prazo. 

 

Nesse sentido, vimos solicitar junto de V. Exas. o número exacto de árvores saudáveis que serão abatidas em Lisboa em consequência do Plano de Drenagem.

 

Muito obrigada pela melhor atenção de V. Exas..

 

Os melhores cumprimentos,

A Plataforma em Defesa das Árvores

 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Queixa à procuradoria por poda desastrosa

 Exma. Senhora Provedora, Profª Maria Lúcia Amaral

Tendo sido confrontados no dia 6 de Junho com uma operação de poda, que consideramos inadequada, extemporânea e danosa, em pinheiros mansos (Pinus pinea) quase centenários, sitos na Alameda Cardeal Cerejeira, em Lisboa, e considerando que esta poda,

-Foi efectuada pelos serviços da Junta de Freguesia de Avenidas Novas (JFAN) e não pelos serviços da CML como seria expectável, uma vez que aquela alameda de pinheiros mansos se insere num espaço verde da cidade considerado “estruturante” e, por isso, da responsabilidade da CML;

-Não teve absolutamente acompanhamento algum de supervisor com conhecimentos técnicos para uma operação delicada como a em apreço;

-Não cumpriu o Regulamento Municipal do Arvoredo de Lisboa (artigo 24º), uma vez que não foi anunciada no sítio da JFAN, nem no da CML, nem foi colocado qualquer aviso prévio no local;

-Não teve qualquer justificação de ordem fitossanitária nem apresentava qualquer urgência em termos da saúde ou da segurança pública;

-E que a altura do ano é totalmente inaceitável para operações de poda, passando estes pinheiros a estar não só mutilados para sempre, como, previsivelmente, a padecer de futuros problemas sérios no seu estado fitossanitário e bio-mecânico;

 Apresentamos esta queixa a V. Excelência na esperança de que uma intervenção da Provedoria de Justiça junto da CML e das Juntas de Freguesia de Lisboa ponha termo a esta prática reiterada de incumprimento de um Regulamento Municipal, desrespeito pelos cidadãos e, pior, mau trato injustificado de árvores quase centenárias, uma vez que datam da fundação do Parque Eduardo VII.

Permita-nos uma reflexão final sobre a razão por que o Pinheiro Manso continua a não ser protegida de forma global no concelho de Lisboa, mantendo-se a situação caricata de termos os municípios de Oeiras e Cascais a consagrarem a protecção desta espécie nos seus regulamentos municipais e Lisboa sem o fazer.

Com os melhores cumprimentos





segunda-feira, 28 de março de 2022

Gestão do arvoredo a despachar



O Departamento de Marca e Comunicação da Câmara Municipal de Lisboa enviou hoje um comunicado à imprensa pedindo a divulgação de um despacho assinado pelo vereador responsável pelo arvoredo de Lisboa, Eng. Ângelo Pereira. Este comunicado e o referido despacho provoca-nos alguma perplexidade pelo que não podemos deixar de os comentar.

Antes de mais lembramos que vigoram na CML dois despachos presidenciais relativamente ao assunto “remoção de árvores”. São eles despacho 60/P/2012 ( assinado por António Costa ), e o mais recente despacho nº95/P/2016 (de Fernando Medina), esperamos que o não envolvimento da actual presidência num assunto desta importância não seja reflexo de um desinteresse do actual executivo.

No referido comunicado é sugerido destacar a frase “ POR CADA ÁRVORE ABATIDA, LISBOA PLANTA DUAS NOVAS” dando a entender que este compromisso da câmara é sinal de evolução, quando na verdade o sinal que a câmara nos transmite com esta frase é precisamente o contrário uma vez que o próprio regime jurídico de gestão do arvoredo urbano, a lei 59/2021, vai um bocado mais longe quando estabelece a obrigatoriedade de medidas de compensação pelo abate de árvores no seu artigo 17º, especificando mesmo no ponto 3 que “ em caso de abate, é obrigatória a reposição do arvoredo que garanta a duplicação do nível de sequestro de CO2, preferencialmente recorrendo a árvores nativas do concelho, num raio não superior a 10km.”.  Se é verdade que o texto da lei levanta algumas dúvidas quanto à forma como se poderá avaliar “ o nível de sequestro de CO2” de uma árvore que foi ou será abatida, é também evidente que a interpretação da câmara é simplista e desonesta. Afirmar que uma arvore adulta será substituída por duas novas árvores não faz sentido nenhum e fazer um despacho para o apregoar é no mínimo bizarro. 




quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Mensagem enviada ao Presidente da CML sobre o aviso de abate de 8 Lódãos de grande porte no Miradouro de São Pedro de Alcântara




Exmo.Sr.Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas

Exmo. Sr. Vereador da estrutura verde, Ângelo Pereira

A Plataforma em defesa das árvores vem pedir esclarecimentos adicionais sobre os preocupantes avisos e autorização de abate (NTA/Ficha N.o 257-2021 de 16/12/2021)  de 8 árvores de grande porte pertencentes a um dos conjuntos arbóreos mais conhecidos e emblemáticos da cidade de Lisboa, os Celtis australis do jardim António Nobre( Miradouro de São Pedro de Alcântara). 

Pedimos ainda que a operação de abate seja adiada até que todas as dúvidas sejam esclarecidas.

Nesse sentido, e de forma a podermos responder aos muitos cidadãos  que, preocupados,  nos têm abordado sobre este caso, solicitamos os seguintes elementos:

a)Relatórios fitossanitários  realizados por entidade idónea (por exemplo LPVVA)  com informação sobre o grau de perigosidade das árvores a abater.

b) Opinião técnica que fundamente a substituição das árvores abatidas por uma outra espécie.

Pedimos ainda ao novo executivo que considere evoluir na abordagem que é feita às árvores de grande porte que apresentam fragilidades e doenças, há muitas décadas que assistimos ao abate de árvores de enorme importância para a cidade e para os Lisboetas sem que sejam consideradas medidas que visem a sua preservação ou tratamento, entendemos que está na altura de agir de forma diferente, as árvores adultas são seres vivos magníficos e na maior parte das vezes insubstituíveis, pedimos pois que em casos como este em que são identificadas fragilidades em árvores que são parte integrante do património da cidade se considere tomar medidas de permitam a preservação dos exemplares como por exemplo o escoramento ou a aplicação de cabos de sustentação de ramos técnicas bastante reconhecidas largamente utilizadas noutros países em que a defesa das árvores é já essencial.

Gratos pela atenção, aguardamos uma resposta

sábado, 31 de julho de 2021

Massacre no largo de São Domingos

Fomos surpreendidos com a violenta amputação de uma das mais bonitas e simbólicas  árvores de Lisboa  sem nenhum tipo de esclarecimento público ou justificação.  Hà poucos dias fomos alertados para o que pareciam ser alguns troncos danificados na Oliveira do Largo de São Domingos, enviámos imediatamente um pedido de esclarecimento à junta de freguesia de Santa Maria Maior, entidade responsável pelas árvores nesta zona , não tivemos nenhuma resposta mas entretanto toda a copa da árvore foi destruída. Este tipo de intervenção é ilegal em Lisboa por isso esta poda é um crime que não pode ficar impune nem deixar os lisboetas indiferentes.  

Em Maio de 2021
27 de Julho de 2021

31 de Julho de 2021

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Como proceder em caso de abate ou poda drástica II

 

A nossa amiga Ana Cristina Figueiredo, que é jurista, ambientalista e que ama as árvores, fez-nos chegar este útil documento, informando como proceder em caso de abate ou poda drástica de árvores em espaço público, incluíndo informação sobre artigos na lei que podem ser úteis nestes casos.







segunda-feira, 19 de abril de 2021

Ainda se abatem árvores monumentais?



Exma. Senhora Presidente da CMS Dra. Maria das Dores Meira,
Exma. Senhora Vereadora do Ambiente Dra. Carla Guerreiro,

A Plataforma foi contactada por alguns munícipes de Setúbal por causa de um eventual abate de uma árvore adulta de grande porte - que parece ser uma tília - na Praceta José Maria, em frente à Escola Básica de Montalvão em Setúbal (ver foto em anexo).

Tomamos a liberdade de recordar a V. Exas. que uma árvore adulta fornece oxigénio para uma família de 4 pessoas durante um ano. Para além disso, modela temperaturas, protege do calor e do vento; filtra a poluição e purifica o ar, captando CO2; e é habitat de vida selvagem, incluindo de aves, pássaros e insectos polinizadores.  

Por outro lado, a ciência também já demonstrou que estar ao pé de árvores melhora a condição física e mental, aumentando os níveis de energia e acelerando processos de recuperação. Em plena crise de saúde pública e quando estudos científicos relacionam a difusão do vírus e a poluição do ar, que favorece sua disseminação e aumenta a virulência da infecção, a preservação do maior número possível de árvores adultas é capital. Mesmo que se plantem novas árvores, estas levam cerca de 20 anos até proporcionar os mesmos benefícios de árvores adultas.


Vimos então por este meio pedir a V. Exas. que reconsiderem e não abatam este belíssimo exemplar, ainda para mais em época de nidificação e à revelia da vontade dos moradores. 






quarta-feira, 31 de março de 2021

LEI DE BASES DO CLIMA: PRONÚNCIA

A Plataforma foi convidada a pronunciar-se sobre a Lei de Bases do Clima pelo Grupo de Trabalho para o efeito da Comissão do Ambiente, Energia e Ordenamento do Território. Fundamentalmente, consideramos que a Lei de Bases deve: 

1. Contemplar as árvores adultas e o papel fundamental que têm não só no equilíbrio ecológico do planeta, mas também no combate à crise climática (e à pandemia);

2. Remeter para legislação específica, quer a existente que se encontra dispersa (e que foi citada neste documento), quer a que, por força deste processo legislativo, venha a existir e que vise a protecção e valorização das árvores, tanto no espaço rural quanto no espaço urbano. Nomeadamente, uma Lei Nacional de Protecção das Árvores, que combata o flagelo dos abates e podas desastrosas e hegemonize a gestão do património arbóreo à escala nacional através de um regulamento técnico, um manual de boas práticas a ser executado por profissionais credenciados, nomeadamente arboristas. Tal manual, como qualquer objecto científico, deve ser sujeito a permanente actualização.










quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Uma das coisas que desfavoravelmente impressionam quem visita o nosso País é a incapacidade, aparente ou real, para, com inteligência e dignidade, aproveitarmos a árvore no urbanismo





É de triste ironia constatar o que se passa neste momento em Alcobaça, cidade natal de um dos mais importantes silvicultores europeus do século XX, precisamente numa das ruas que lhe deveria prestar homenagem, a avenida Prof. Eng. Joaquim Vieira Natividade, em que um projecto de reabilitação é mais uma vez  a absurda justificação para o abate de árvores adultas e saudáveis.

O texto que aqui partilhamos é da autoria do brilhante Engenheiro Vieira Natividade e infelizmente perante as imagens que partilhamos, e que muito nos entristecem,  é hoje tão ou mais oportuno do que foi em 1959.

 A ÁRVORE E A CIDADE

Artigo de Joaquim Vieira Natividade
no jornal Diário Popular, Ano XVIII, n.º 6090, Lisboa, 1959

Uma das coisas que desfavoravelmente impressionam quem visita o nosso País é a incapacidade, aparente ou real, para, com inteligência e dignidade, aproveitarmos a árvore no urbanismo. Há quem fale, à boca pequena, de atávicos instintos arboricidas, o que é desprimoroso, antipático, quando não degradante e sinistro, porque pode levar a crer que, apesar de baptizados e de nos termos por bons cristãos, de todo nos não libertámos ainda dos vícios e das tendências ingénitas, da infiel moirama.

Para se contornarem os melindres, recorramos, não já ao neologismo «arborifobia»,porventura também cruel, mas a eufemismo suaves e eruditos, como a dendroclastia, para traduzir o desamor de muitos dos nossos municípios pela árvore ornamental.

Em boa verdade, por esse País fora, em tantas caricaturas de jardins a que se dá por vezes o nome de parques municipais, raro se nos depara uma árvore verdadeira, uma árvore autêntica, em todo o esplendor da majestosa arborescência: a árvore esbelta, digna, umbrosa e acolhedora, orgulho da Criação. Onde acaso existiu, poucas vezes escapou a brutais mutilações que a transformaram em grotesco Quasímodo, sem o mínimo respeito pela dignidade do mundo vegetal.

Nos jardins, em lugar da árvore, plantou- se um  reles ersatz, uns arbustozitos burlescos, quase bobos arbóreos, tão inúteis que nem dão sombra a uma  pessoa crescida:  as tais falsas acácias de importação,  maneirinhas, embonecadas, dengosas, com o ar, não de fazerem parte do jardim, mas de  terem ali ido, em passeio, exibir a ramagem, com a sua «permanente»manipulada no salão de qualquer coiffeur arborícola municipal.

Compreende-se, num povo de fraca cultura, o desamor instintivo ao marmeleiro e ao castanheiro, árvores estas consideradas, desde remotos tempos, estimáveis ferramentas de educação e esteio dessa vida patriarcal, austera e digna, que os velhos, ao olharem o que vai pelo Mundo, recordam com saudade e respeitoso enlevo. Já se não compreende, todavia, que se mutilem ou suprimam sem piedade o ulmeiro, o plátano, o umbroso freixo, o álamo esbelto, os nobres e austeros ciprestes, os cedros, os carvalhos  e tantos outros soberbos gigantes vegetais que, estranhos, embora, muitos deles à nossa flora, encontraram na Lusitânia como que a sua segunda pátria.

Num país castigado por uma ardente canícula, dir-se-ia que temos horror à sombra; onde se pediam  arvoredos frondosos e acolhedores, o ninho de um oásis a suavizar as inclemências do estio, fizemos terreiros imensos, cruamente ensoalheirados e inóspitos; quando tantos dos nossos monumentos lucrariam com uma nobre moldura vegetal que acarinhasse e aquecesse essa frieza da pedra ou por vezes quebrasse, com a cortina da folhagem, a  monotonia das grandes massas arquitetónicas, e num ou noutro caso escondesse até a sua real pobreza; quando a presença da árvore exaltaria o poder evocador e o poético encanto que emana de tantas ruínas, como acontece aos templos perdidos nos bosques sagrados da Grécia –  nós, pela calada, metodicamente, cinicamente, fomos degolando, mutilando, rapando tudo o que tivesse jeito de árvore para não prejudicar as «vistas», tal como faria qualquer ricaço de letras gordas aos empecilhos que ofuscassem ou escondessem os arrebiques pelintras do seu chalet.

O que haveria a dizer sobre as grandezas e as misérias da árvore nas cidades e nas vilas de Portugal!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Jardim de Belém: uma "requalificação" que prevê o abate de 16 árvores saudáveis



Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina,

Pelo presente vimos expôr a V. Exa. o seguinte.

Mais uma vez, em Lisboa, a requalificação de um jardim, o Jardim da Praça do Império, em Belém, condena desnecessariamente árvores adultas e saudáveis, num tempo em que elas são cruciais no combate à crise climática e, até, à crise pandémica.

O projecto prevê o abate de 16 árvores adultas, entre elas Tuías e Cycas Revolutas, que o Relatório de Avaliação do Arvoredo, executado por técnicos camarários da Divisão de Planeamento, Gestão e Manutenção de Espaços Verdes, atesta como "saudáveis", "equilibradas", "bem desenvolvidas" e em "bom estado fitossanitário", aconselhando a sua transplantação (ver anexos).

Tomamos a liberdade de invocar o Art. 9, nomeadamente a sua alínea k), do Regulamento Municipal do Arvoredo. Afigura-se-nos que recuperações de jardins não são razão justificável para abater árvores que os serviços camarários consideram em bom estado. 

Queremos pedir a V. Exa. que impeça, ao abrigo do despacho 60/P/2012, este abate e que providencie a incorporação destes exemplares no projecto de recuperação.

Muito obrigada desde já pela atenção que V. Exa. se dignar prestar. 

A Plataforma

(Actualização)




sábado, 19 de dezembro de 2020

Há cada vez menos árvores


 “Há cada vez menos árvores”, é uma  preocupação pertinente, expressa pela junta de freguesia de Alvalade em todos os mails que envia. Lamentavelmente não a expressa também nas ações que pratica. Neste caso específico em que manda abater duas árvores adultas substituindo-as por arbustos exóticos, podemos mesmo concluir que a junta optou conscientemente  por desarborizar, contrariando até normas expressas no regulamento municipal do arvoredo de Lisboa. É difícil entender as razões que levam as autarquias a ignorar as pouquíssimas  regras de que dispõem para defesa e proteção das suas árvores numa altura em que, mais do que nunca, a sua importância é de indiscutível urgência. 


Antes

Depois



Apelamos ao bom senso da junta de freguesia de Alvalade para que no local das duas árvores,  já abatidas, sejam plantadas árvores adequadas ao local.




quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A PLATAFORMA ESCREVE AO PRESIDENTE DA CML (a propósito da reportagem da Sábado de 12/12/20)





Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina,

Pelo presente tomamos a liberdade de chamar a atenção de V. Exa. para a peça que saiu na revista Sábado, de dia 12 de Dezembro do corrente, e que se anexa. 

A peça desvela o negócio, de contornos duvidosos, das grandes empresas de manutenção de espaços verdes - duas famílias, oito empresas - sem pessoal especializado e sem conhecimento técnico, às quais foram entregues, sem nenhum plano específico, a gestão do arvoredo e dos espaços verdes de algumas das freguesias de Lisboa.  Estas empresas parecem nem sequer conhecer o Regulamento Municipal a que está sujeita a gestão do arvoredo e as Juntas de Freguesia, que o fizeram aprovar, não têm garantido o seu cumprimento. Citamos aqui uma reveladora passagem do artigo em causa:

Os Alhos (Fernando, Maria, João, Leonor, António e Carlos) e os Montes (Daniel, António, Raquel e Eduarda) misturam-se em oito empresas de manutenção de espaços verdes que desde 2009 conseguiram 370 contratos com o Estado num total de €27 milhões. A maioria (250 contratos, €20,7 milhões) foi com algumas juntas de freguesia de Lisboa, com a Câmara Municipal de Lisboa, a Câmara Municipal de Oeiras e o IPDJ. Uma das empresas (a Pétala Livre) é detida por elementos de ambas as famílias (Daniel Montes e João Alho; na foto acima). Há inúmeras situações em que uma empresa detida pelos Alhos fica com um contrato que era de uma empresa... dos Alhos. Quando não era dos Montes”.
A Plataforma está convicta que falta de conhecimento técnico destas empresas e o desinteresse das autarquias que, sem equipas próprias de profissionais, se limitam a delegar a competência a terceiros, é a explicação para tantas árvores mal tratadas, tantos abates, tantas plantações sem futuro, tanto espaço verde desalmado, o que tem suscitado a contestação e a preocupação de muitos cidadãos por todo o país e, muito em particular, os lisboetas.

Faz agora três anos que o Senhor Presidente garantiu à Plataforma que estaria aberto a reavaliar a transferência de competências nesta área e a recuar se fosse caso disso. Consideramos que é a ocasião de o Senhor Presidente o fazer. Em nome da cidade de Lisboa, dos lisboetas e do seu património arbóreo.

Deste modo, vimos solicitar a melhor atenção de V. Exa. para este assunto e tomada de diligências urgentes.

Muito atentamente,

A Plataforma