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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Ainda se abatem árvores monumentais?



Exma. Senhora Presidente da CMS Dra. Maria das Dores Meira,
Exma. Senhora Vereadora do Ambiente Dra. Carla Guerreiro,

A Plataforma foi contactada por alguns munícipes de Setúbal por causa de um eventual abate de uma árvore adulta de grande porte - que parece ser uma tília - na Praceta José Maria, em frente à Escola Básica de Montalvão em Setúbal (ver foto em anexo).

Tomamos a liberdade de recordar a V. Exas. que uma árvore adulta fornece oxigénio para uma família de 4 pessoas durante um ano. Para além disso, modela temperaturas, protege do calor e do vento; filtra a poluição e purifica o ar, captando CO2; e é habitat de vida selvagem, incluindo de aves, pássaros e insectos polinizadores.  

Por outro lado, a ciência também já demonstrou que estar ao pé de árvores melhora a condição física e mental, aumentando os níveis de energia e acelerando processos de recuperação. Em plena crise de saúde pública e quando estudos científicos relacionam a difusão do vírus e a poluição do ar, que favorece sua disseminação e aumenta a virulência da infecção, a preservação do maior número possível de árvores adultas é capital. Mesmo que se plantem novas árvores, estas levam cerca de 20 anos até proporcionar os mesmos benefícios de árvores adultas.


Vimos então por este meio pedir a V. Exas. que reconsiderem e não abatam este belíssimo exemplar, ainda para mais em época de nidificação e à revelia da vontade dos moradores. 






quarta-feira, 31 de março de 2021

LEI DE BASES DO CLIMA: PRONÚNCIA

A Plataforma foi convidada a pronunciar-se sobre a Lei de Bases do Clima pelo Grupo de Trabalho para o efeito da Comissão do Ambiente, Energia e Ordenamento do Território. Fundamentalmente, consideramos que a Lei de Bases deve: 

1. Contemplar as árvores adultas e o papel fundamental que têm não só no equilíbrio ecológico do planeta, mas também no combate à crise climática (e à pandemia);

2. Remeter para legislação específica, quer a existente que se encontra dispersa (e que foi citada neste documento), quer a que, por força deste processo legislativo, venha a existir e que vise a protecção e valorização das árvores, tanto no espaço rural quanto no espaço urbano. Nomeadamente, uma Lei Nacional de Protecção das Árvores, que combata o flagelo dos abates e podas desastrosas e hegemonize a gestão do património arbóreo à escala nacional através de um regulamento técnico, um manual de boas práticas a ser executado por profissionais credenciados, nomeadamente arboristas. Tal manual, como qualquer objecto científico, deve ser sujeito a permanente actualização.










quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Uma das coisas que desfavoravelmente impressionam quem visita o nosso País é a incapacidade, aparente ou real, para, com inteligência e dignidade, aproveitarmos a árvore no urbanismo





É de triste ironia constatar o que se passa neste momento em Alcobaça, cidade natal de um dos mais importantes silvicultores europeus do século XX, precisamente numa das ruas que lhe deveria prestar homenagem, a avenida Prof. Eng. Joaquim Vieira Natividade, em que um projecto de reabilitação é mais uma vez  a absurda justificação para o abate de árvores adultas e saudáveis.

O texto que aqui partilhamos é da autoria do brilhante Engenheiro Vieira Natividade e infelizmente perante as imagens que partilhamos, e que muito nos entristecem,  é hoje tão ou mais oportuno do que foi em 1959.

 A ÁRVORE E A CIDADE

Artigo de Joaquim Vieira Natividade
no jornal Diário Popular, Ano XVIII, n.º 6090, Lisboa, 1959

Uma das coisas que desfavoravelmente impressionam quem visita o nosso País é a incapacidade, aparente ou real, para, com inteligência e dignidade, aproveitarmos a árvore no urbanismo. Há quem fale, à boca pequena, de atávicos instintos arboricidas, o que é desprimoroso, antipático, quando não degradante e sinistro, porque pode levar a crer que, apesar de baptizados e de nos termos por bons cristãos, de todo nos não libertámos ainda dos vícios e das tendências ingénitas, da infiel moirama.

Para se contornarem os melindres, recorramos, não já ao neologismo «arborifobia»,porventura também cruel, mas a eufemismo suaves e eruditos, como a dendroclastia, para traduzir o desamor de muitos dos nossos municípios pela árvore ornamental.

Em boa verdade, por esse País fora, em tantas caricaturas de jardins a que se dá por vezes o nome de parques municipais, raro se nos depara uma árvore verdadeira, uma árvore autêntica, em todo o esplendor da majestosa arborescência: a árvore esbelta, digna, umbrosa e acolhedora, orgulho da Criação. Onde acaso existiu, poucas vezes escapou a brutais mutilações que a transformaram em grotesco Quasímodo, sem o mínimo respeito pela dignidade do mundo vegetal.

Nos jardins, em lugar da árvore, plantou- se um  reles ersatz, uns arbustozitos burlescos, quase bobos arbóreos, tão inúteis que nem dão sombra a uma  pessoa crescida:  as tais falsas acácias de importação,  maneirinhas, embonecadas, dengosas, com o ar, não de fazerem parte do jardim, mas de  terem ali ido, em passeio, exibir a ramagem, com a sua «permanente»manipulada no salão de qualquer coiffeur arborícola municipal.

Compreende-se, num povo de fraca cultura, o desamor instintivo ao marmeleiro e ao castanheiro, árvores estas consideradas, desde remotos tempos, estimáveis ferramentas de educação e esteio dessa vida patriarcal, austera e digna, que os velhos, ao olharem o que vai pelo Mundo, recordam com saudade e respeitoso enlevo. Já se não compreende, todavia, que se mutilem ou suprimam sem piedade o ulmeiro, o plátano, o umbroso freixo, o álamo esbelto, os nobres e austeros ciprestes, os cedros, os carvalhos  e tantos outros soberbos gigantes vegetais que, estranhos, embora, muitos deles à nossa flora, encontraram na Lusitânia como que a sua segunda pátria.

Num país castigado por uma ardente canícula, dir-se-ia que temos horror à sombra; onde se pediam  arvoredos frondosos e acolhedores, o ninho de um oásis a suavizar as inclemências do estio, fizemos terreiros imensos, cruamente ensoalheirados e inóspitos; quando tantos dos nossos monumentos lucrariam com uma nobre moldura vegetal que acarinhasse e aquecesse essa frieza da pedra ou por vezes quebrasse, com a cortina da folhagem, a  monotonia das grandes massas arquitetónicas, e num ou noutro caso escondesse até a sua real pobreza; quando a presença da árvore exaltaria o poder evocador e o poético encanto que emana de tantas ruínas, como acontece aos templos perdidos nos bosques sagrados da Grécia –  nós, pela calada, metodicamente, cinicamente, fomos degolando, mutilando, rapando tudo o que tivesse jeito de árvore para não prejudicar as «vistas», tal como faria qualquer ricaço de letras gordas aos empecilhos que ofuscassem ou escondessem os arrebiques pelintras do seu chalet.

O que haveria a dizer sobre as grandezas e as misérias da árvore nas cidades e nas vilas de Portugal!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Jardim de Belém: uma "requalificação" que prevê o abate de 16 árvores saudáveis



Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina,

Pelo presente vimos expôr a V. Exa. o seguinte.

Mais uma vez, em Lisboa, a requalificação de um jardim, o Jardim da Praça do Império, em Belém, condena desnecessariamente árvores adultas e saudáveis, num tempo em que elas são cruciais no combate à crise climática e, até, à crise pandémica.

O projecto prevê o abate de 16 árvores adultas, entre elas Tuías e Cycas Revolutas, que o Relatório de Avaliação do Arvoredo, executado por técnicos camarários da Divisão de Planeamento, Gestão e Manutenção de Espaços Verdes, atesta como "saudáveis", "equilibradas", "bem desenvolvidas" e em "bom estado fitossanitário", aconselhando a sua transplantação (ver anexos).

Tomamos a liberdade de invocar o Art. 9, nomeadamente a sua alínea k), do Regulamento Municipal do Arvoredo. Afigura-se-nos que recuperações de jardins não são razão justificável para abater árvores que os serviços camarários consideram em bom estado. 

Queremos pedir a V. Exa. que impeça, ao abrigo do despacho 60/P/2012, este abate e que providencie a incorporação destes exemplares no projecto de recuperação.

Muito obrigada desde já pela atenção que V. Exa. se dignar prestar. 

A Plataforma

(Actualização)




sábado, 19 de dezembro de 2020

Há cada vez menos árvores


 “Há cada vez menos árvores”, é uma  preocupação pertinente, expressa pela junta de freguesia de Alvalade em todos os mails que envia. Lamentavelmente não a expressa também nas ações que pratica. Neste caso específico em que manda abater duas árvores adultas substituindo-as por arbustos exóticos, podemos mesmo concluir que a junta optou conscientemente  por desarborizar, contrariando até normas expressas no regulamento municipal do arvoredo de Lisboa. É difícil entender as razões que levam as autarquias a ignorar as pouquíssimas  regras de que dispõem para defesa e proteção das suas árvores numa altura em que, mais do que nunca, a sua importância é de indiscutível urgência. 


Antes

Depois



Apelamos ao bom senso da junta de freguesia de Alvalade para que no local das duas árvores,  já abatidas, sejam plantadas árvores adequadas ao local.




quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A PLATAFORMA ESCREVE AO PRESIDENTE DA CML (a propósito da reportagem da Sábado de 12/12/20)





Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina,

Pelo presente tomamos a liberdade de chamar a atenção de V. Exa. para a peça que saiu na revista Sábado, de dia 12 de Dezembro do corrente, e que se anexa. 

A peça desvela o negócio, de contornos duvidosos, das grandes empresas de manutenção de espaços verdes - duas famílias, oito empresas - sem pessoal especializado e sem conhecimento técnico, às quais foram entregues, sem nenhum plano específico, a gestão do arvoredo e dos espaços verdes de algumas das freguesias de Lisboa.  Estas empresas parecem nem sequer conhecer o Regulamento Municipal a que está sujeita a gestão do arvoredo e as Juntas de Freguesia, que o fizeram aprovar, não têm garantido o seu cumprimento. Citamos aqui uma reveladora passagem do artigo em causa:

Os Alhos (Fernando, Maria, João, Leonor, António e Carlos) e os Montes (Daniel, António, Raquel e Eduarda) misturam-se em oito empresas de manutenção de espaços verdes que desde 2009 conseguiram 370 contratos com o Estado num total de €27 milhões. A maioria (250 contratos, €20,7 milhões) foi com algumas juntas de freguesia de Lisboa, com a Câmara Municipal de Lisboa, a Câmara Municipal de Oeiras e o IPDJ. Uma das empresas (a Pétala Livre) é detida por elementos de ambas as famílias (Daniel Montes e João Alho; na foto acima). Há inúmeras situações em que uma empresa detida pelos Alhos fica com um contrato que era de uma empresa... dos Alhos. Quando não era dos Montes”.
A Plataforma está convicta que falta de conhecimento técnico destas empresas e o desinteresse das autarquias que, sem equipas próprias de profissionais, se limitam a delegar a competência a terceiros, é a explicação para tantas árvores mal tratadas, tantos abates, tantas plantações sem futuro, tanto espaço verde desalmado, o que tem suscitado a contestação e a preocupação de muitos cidadãos por todo o país e, muito em particular, os lisboetas.

Faz agora três anos que o Senhor Presidente garantiu à Plataforma que estaria aberto a reavaliar a transferência de competências nesta área e a recuar se fosse caso disso. Consideramos que é a ocasião de o Senhor Presidente o fazer. Em nome da cidade de Lisboa, dos lisboetas e do seu património arbóreo.

Deste modo, vimos solicitar a melhor atenção de V. Exa. para este assunto e tomada de diligências urgentes.

Muito atentamente,

A Plataforma

terça-feira, 14 de julho de 2020

Um Regulamento ferido de morte

Exmo Sr. presidente da Câmara Municipal de Lisboa

A Plataforma em defesa das árvores vem mais uma vez pedir a  atenção de V. Exa. para um assunto que sendo  da maior importância para a cidade de Lisboa não pode continuar a ser ignorado. 

 É nossa  forte convicção, expressa publicamente inúmeras vezes,  que as alterações feitas na AML ao Regulamento municipal do arvoredo, nomeadamente as que foram Aprovadas na 149° reunião em 18 de julho de 2017, tiveram como resultado um documento que desvirtua os fundamentos e objectivos do regulamento original, redigido e aprovado na CML após ter sido submetido a consulta pública na qual participámos.

Sobre as alterações feitas na AML  a CML nunca se pronunciou, nem apresentou nenhum parecer jurídico,  apesar de haver dúvidas expressas sobre a Legalidade das mesmas.

Constatámos há dias um procedimento perigoso e sem precedente, trata-se da autorização de abate de uma árvore de grande porte feita por uma presidente de junta sem qualquer relatório fitossanitário que corrobore a decisão e sem proposta de substituição ( documento em anexo).

Além de pedirmos a intervenção de V. Exa. nesta situação, renovamos o nosso pedido para que o regulamento volte à CML no sentido de restabelecer os princípios para os quais foi concebido: uniformizar a gestão e a política de arborização da cidade.